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  <title>The Best Damn Shit</title>
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  <updated>2009-06-24T20:40:45Z</updated>
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    <title>Sobre dúvidas e desânimo</title>
    <published>2009-06-24T20:40:45Z</published>
    <updated>2009-06-24T20:40:45Z</updated>
    <content type="html">O sacolejar do &amp;ocirc;nibus torna minha caligrafia quase ileg&amp;iacute;vel, e mesmo assim tento escrever. Tento porque estou cansado de tanto sil&amp;ecirc;ncio. Cansado de pensar e sentir e chorar calado. Eu preciso escrever. Nem que seja para declarar que sim, sigo vivo, sigo tentando. E n&amp;atilde;o t&amp;aacute; f&amp;aacute;cil. Mas ser&amp;aacute; que &amp;eacute; f&amp;aacute;cil para algu&amp;eacute;m? Talvez seja. O que sei com certeza &amp;eacute; que, pra mim e pra muitos que conhe&amp;ccedil;o, nunca foi. E, mesmo assim, n&amp;oacute;s, eles e eu, continuamos aqui, tentando, lutando. Lutando pelo qu&amp;ecirc;? Lutando pra qu&amp;ecirc;? Lutando por quem? &amp;Agrave;s vezes n&amp;atilde;o tenho certeza, e desanimo. Desanimo mesmo. Sei que essa hist&amp;oacute;ria de &amp;quot;lutar sempre, desanimar nunca&amp;quot; &amp;eacute; muito, muito bonitinha, mas n&amp;atilde;o cola. N&amp;atilde;o pra mim. Eu tenho d&amp;uacute;vidas, muitas d&amp;uacute;vidas, e elas n&amp;atilde;o se calam. Busco respostas o tempo inteiro, suplico por elas. &amp;Agrave;s vezes invento algumas e enfio goela abaixo pra ver se as d&amp;uacute;vidas as engolem, mas elas acabam por cuspi-las de volta. Porque essas d&amp;uacute;vidas, essas minhas, n&amp;atilde;o aceitam nada que n&amp;atilde;o seja a mais pura verdade. E como encontrar a verdade nesse mundo em que, a todo momento, mais e mais mentiras s&amp;atilde;o fabricadas(&amp;agrave;s vezes para nos confortar, &amp;agrave;s vezes s&amp;oacute; pra nos enganar mesmo) &amp;eacute; muito dif&amp;iacute;cil, n&amp;atilde;o posso ignorar o des&amp;acirc;nimo que me vem cochichar no ouvido. Mas tento. Sempre tento.</content>
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    <title>O Resto</title>
    <published>2009-05-21T23:40:01Z</published>
    <updated>2009-05-21T23:46:18Z</updated>
    <content type="html">J&amp;aacute; n&amp;atilde;o sou eu, sou o que sobrou. O que sobrou depois de teres me tirado tudo. Tudo o que eu era, tudo o que eu tinha. Me tirastes tudo, e o que hoje sou &amp;eacute; tudo o que sobrou. O Resto. E &amp;eacute; preciso seguir. Sempre &amp;eacute; preciso seguir. Mas seguir pra onde?! N&amp;atilde;o me foi deixado caminho algum.</content>
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    <title>Palavras</title>
    <published>2009-04-26T03:05:46Z</published>
    <updated>2009-04-26T03:05:46Z</updated>
    <content type="html">Tenho estado em sil&amp;ecirc;ncio, eu sei. N&amp;atilde;o porque me faltem palavras, it's not the case. Elas ainda passam pela minha cabe&amp;ccedil;a a todo momento, a toda velocidade. Minha f&amp;eacute; nelas &amp;eacute; que j&amp;aacute; n&amp;atilde;o &amp;eacute; a mesma. Afinal, quem precisa das minhas palavras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu preciso. E &amp;eacute; por isso que volto a us&amp;aacute;-las. Eu preciso porque, se n&amp;atilde;o for para us&amp;aacute;-las, qual o sentido de estar vivo? E sim, eu posso pensar que a minha exist&amp;ecirc;ncia n&amp;atilde;o significa nada e que eu sou apenas mais um, que as minhas palavras s&amp;atilde;o apenas mais algumas palavras e que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; raz&amp;atilde;o em diz&amp;ecirc;-las ou escrev&amp;ecirc;-las. Mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; verdade. Cada vida deve ser notada, deve ser importante, ainda que seja apenas para seu dono. Cada palavra deve ser falada. Gritada. Muitos podem t&amp;ecirc;-la dito e, para a maioria das pessoas, sua palavra ser&amp;aacute; de fato apenas uma palavra a mais. Mas para voc&amp;ecirc;, n&amp;atilde;o. Para voc&amp;ecirc; ela tem um significado, ent&amp;atilde;o d&amp;ecirc; a ele a import&amp;acirc;ncia merecida. Voc&amp;ecirc; tem algo a dizer: diga.</content>
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    <title>O que sobrou</title>
    <published>2009-02-16T02:01:02Z</published>
    <updated>2009-02-16T02:01:02Z</updated>
    <content type="html">  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O que &amp;eacute; que eu fa&amp;ccedil;o com a vida? N&amp;atilde;o morri, mas carrego a ferida.&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Procura-se</title>
    <published>2009-02-15T00:28:00Z</published>
    <updated>2009-02-15T00:28:00Z</updated>
    <content type="html">Deve ter restado algo, algum fragmento de f&amp;eacute; que me livre desse medo. Medo de viver. Medo de morrer. Medo.&lt;br /&gt;Procuro por esse algo.</content>
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    <title>bestdamnshit @ 2009-02-10T21:01:00</title>
    <published>2009-02-10T23:03:11Z</published>
    <updated>2009-02-10T23:03:11Z</updated>
    <content type="html">J&amp;aacute; n&amp;atilde;o me sinto t&amp;atilde;o grato. Tampouco os dias tem sido leves.</content>
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    <title>Sobre a incerteza da vida</title>
    <published>2009-01-10T00:21:38Z</published>
    <updated>2009-01-10T00:21:38Z</updated>
    <lj:music>Rita Lee - Baila Comigo</lj:music>
    <content type="html">Grato. &amp;Eacute; assim que (acho que) me sinto por estar vivendo estes primeiros dias de 2009. Apesar das minhas varia&amp;ccedil;&amp;otilde;es de humor ainda presentes, os dias tem sido leves. Me sinto em paz comigo e com as minhas decis&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive de fazer uso de uma certa dose de ousadia para estar onde estou hoje. N&amp;atilde;o fazer um vestibular para o qual vinha me preparando foi, com certeza, uma decis&amp;atilde;o dif&amp;iacute;cil. Mas &amp;eacute; preciso saber o que me faz feliz e seguir apenas nessa dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por isso essa decis&amp;atilde;o. Meu caminho nunca foi a universidade. Pelo menos at&amp;eacute; agora. Libertar-me de v&amp;iacute;nculos com elementos que me traziam maus fluidos tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o foi f&amp;aacute;cil, mas necess&amp;aacute;rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo &amp;eacute; t&amp;atilde;o incerto. E sempre ser&amp;aacute;. Nunca imaginei terminar 2008 da maneira que terminei. As coisas que vivi, os lugares pelos quais passei, as pessoas que conheci, as coisas em que tive de pensar... N&amp;atilde;o esperava passar por nada disso. N&amp;atilde;o por enquanto, pelo menos. Lembro de, num de meus &amp;uacute;ltimos dias na cl&amp;iacute;nica S&amp;atilde;o Jos&amp;eacute;, onde estive internado de 12 a 24 de dezembro, irromper em choro na frente de uma companheira mais velha, dizendo que jamais seria o mesmo depois de ter passado pelo que tive de passar. Lamentei-me por ser t&amp;atilde;o novo e j&amp;aacute; t&amp;atilde;o machucado. Uma tolice, acho. Nunca se &amp;eacute; novo demais para come&amp;ccedil;ar a entender as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tristeza ainda me acompanha. Mas sei como conviver com ela, acho. Sempre acabo buscando minhas coisinhas m&amp;aacute;gicas que elevam meu humor e meu esp&amp;iacute;rito. Meu tio acaba de me ligar, convidando-me para passar uma semana na sua casa, e aceitei. Mais um sinal da incerteza das coisas. Agora estou conversando com a minha m&amp;atilde;e sobre esse convite e os compromissos que eu tinha, e as coisas est&amp;atilde;o mais incertas ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixemo-as assim.</content>
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    <title>Ainda não</title>
    <published>2008-12-09T14:51:12Z</published>
    <updated>2008-12-09T14:51:12Z</updated>
    <lj:music>Lily Allen - The Fear</lj:music>
    <content type="html">Esfor&amp;ccedil;o-me para reacender a luz, mas a energia que restou - o pequeno fragmento de energia que sobrou do muito que voc&amp;ecirc; me tirou - n&amp;atilde;o &amp;eacute; suficiente. Ainda n&amp;atilde;o. Mas, no escuro, n&amp;atilde;o hei de permanecer at&amp;eacute; o fim. Continuo a esfor&amp;ccedil;ar-me.</content>
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    <title>Escuro</title>
    <published>2008-12-01T00:29:29Z</published>
    <updated>2008-12-01T00:31:49Z</updated>
    <content type="html">Fecho meus olhos para um encontro com o escuro. Escuro que est&amp;aacute; em mim. Escuro que sou. O encontro e o encaro. O encaro sem disfar&amp;ccedil;ar, sem temer, sem me mascarar. O encaro e o reconhe&amp;ccedil;o. Ent&amp;atilde;o sinto que, finalmente, encontro algo que traz algum sentido para todos os algos. Os algos que me cercam, me tocam, me tomam, me ferem. Os algos que s&amp;atilde;o pessoas, sentimentos, acontecimentos, dores, amores, temores, cheiros e sabores. Os algos que s&amp;oacute; passam a ter um sentido agora que encontrei o algo. O algo que &amp;eacute; o escuro. Porque &amp;eacute; desse algo, o escuro, que s&amp;atilde;o feitos os algos que me cercam, me tocam, me tomam, me ferem. Os algos que s&amp;atilde;o pessoas, sentimentos, acontecimentos, dores, amores, temores, cheiros e sabores. Os algos s&amp;atilde;o o algo. O algo &amp;eacute; o escuro. Escuro que encontrei ao fechar meus olhos. Escuro que est&amp;aacute; em mim. Escuro que sou.</content>
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    <title>Caminho</title>
    <published>2008-10-18T18:50:17Z</published>
    <updated>2008-10-18T18:50:17Z</updated>
    <content type="html">O tempo est&amp;aacute; acabando e eu preciso sair. Cheguei h&amp;aacute; tanto tempo, e agora vejo que, de certa forma, estou quase preso ao ch&amp;atilde;o, coberto pelo limo... O pr&amp;oacute;prio ch&amp;atilde;o, o lugar todo tenta me impedir, mas eu preciso sair daqui. Eu preciso caminhar. Mas d&amp;oacute;i. D&amp;oacute;i muito, d&amp;oacute;i tudo. D&amp;oacute;i deixar o ch&amp;atilde;o, ap&amp;oacute;s tanto tempo deitado sobre ele. Me apeguei ao frio do concreto, &amp;agrave; umidade do limo, &amp;agrave; escurid&amp;atilde;o do buraco, e d&amp;oacute;i deixar tudo pra tr&amp;aacute;s. Mas eu preciso. Eu vejo a luz l&amp;aacute; em cima, e n&amp;atilde;o sei se consigo alcan&amp;ccedil;&amp;aacute;-la. Mas eu preciso dizer que sim, que consigo, que posso, eu preciso acreditar. Eu preciso deixar o ch&amp;atilde;o e voltar a caminhar. Ent&amp;atilde;o caminho(te sentindo nos p&amp;eacute;s, meu espinho).</content>
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    <title>Nas Paredes</title>
    <published>2008-10-18T18:11:36Z</published>
    <updated>2008-10-18T18:11:36Z</updated>
    <content type="html">Entre muros e paredes&lt;br /&gt;encontro tua sombra.&lt;br /&gt;E &amp;eacute; tentando alcan&amp;ccedil;&amp;aacute;-la&lt;br /&gt;que eu&lt;br /&gt;Tento tocar em ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a sombra&lt;br /&gt;&amp;eacute; s&amp;oacute; sombra,&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o tu.&lt;br /&gt;Tu n&amp;atilde;o est&amp;aacute;s aqui.&lt;br /&gt;Nem ali.&lt;br /&gt;Nem sei se,&lt;br /&gt;de fato,&lt;br /&gt;est&amp;aacute;s em algum lugar,&lt;br /&gt;se existes&lt;br /&gt;ou se eu te criei,&lt;br /&gt;n&amp;atilde;o sei.&lt;br /&gt;A ti&lt;br /&gt;nunca vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tua sombra,&lt;br /&gt;sim.&lt;br /&gt;Ela, sempre encontro por a&amp;iacute;,&lt;br /&gt;sempre encontro aqui.&lt;br /&gt;Nas paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro porque procuro.&lt;br /&gt;Procuro e j&amp;aacute; n&amp;atilde;o tento resistir.&lt;br /&gt;Procuro para toc&amp;aacute;-la,&lt;br /&gt;tentando tocar em ti.</content>
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    <title>Perdas e ganhos</title>
    <published>2008-10-01T00:33:13Z</published>
    <updated>2008-10-01T00:33:13Z</updated>
    <content type="html">&amp;quot;Freedom comes when you learn to let go.&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais me tiram, mais me d&amp;atilde;o e quanto mais me d&amp;atilde;o, mais me tiram. Desde o princ&amp;iacute;pio, era esta a quest&amp;atilde;o. Era esta a raz&amp;atilde;o. Eu apenas demorei tempo demais pra entender. Passei tempo demais sem saber. A cada pessoa que, com muito esfor&amp;ccedil;o, permito entrar em minha vida, em meu mundo, onde quer que seja, enfim, muito me &amp;eacute; tirado. Da mesma forma, muito me &amp;eacute; dado. E talvez seja assim com todos os outros. Mas que motivo teriam eles para fingir n&amp;atilde;o perceber tantas perdas e tantos ganhos? Talvez n&amp;atilde;o percam nem ganhem tanto. Talvez percam e ganhem tanto quanto eu, mas eu sinta e arda e sangre mais do que eles a cada vez que isso acontece. Talvez n&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o sei. S&amp;oacute; o que sei &amp;eacute; o que vejo, percebo e sinto. Mais sinto do que vejo e percebo. E o que vejo, percebo e, especialmente, sinto s&amp;atilde;o pessoas indo e vindo como se nada lhes fosse tirado nem nada lhes fosse dado. Como se nada ganhassem e nada perdessem. Entrando e saindo da minha vida, do meu mundo, de onde quer que seja, enfim, como se nada sentissem. Como se nada levassem e nada deixassem. Mas levam. E deixam. De mim, levam muito e, comigo, deixam muito. Mas parecem n&amp;atilde;o perceber. Ou, talvez, percebam, mas n&amp;atilde;o se importem. Nem com o que levam nem com o que deixam. Nem com o que eu perco nem com o que eu ganho. E eu perco muito e ganho muito. Perco ao ganhar e ganho ao perder. Pois quanto mais me tiram, mais me d&amp;atilde;o e quanto mais me d&amp;atilde;o, mais me tiram.</content>
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    <title>Nem sono nem dor</title>
    <published>2008-09-22T15:57:13Z</published>
    <updated>2008-09-22T15:57:13Z</updated>
    <content type="html">O rel&amp;oacute;gio do celular me diz que s&amp;atilde;o 3h40, escuto p&amp;aacute;ssaros cantando e n&amp;atilde;o entendo o porqu&amp;ecirc; deles estarem cantando a essa hora, assim como n&amp;atilde;o entendo o porqu&amp;ecirc; de eu estar aqui, acordado, escrevendo estas palavras neste caderno de capa roxa para amanh&amp;atilde; digit&amp;aacute;-las no computador e postar no blog para que depois ou nunca tu possas l&amp;ecirc;-las. Mas aqui estou. E os p&amp;aacute;ssaros cantam. N&amp;atilde;o sei o que de fato se passa com a minha cabe&amp;ccedil;a. Nem sei dizer ao certo o que se passa nela, como posso querer saber o que se passa com ela? Mas sei que, neste momento, ela me mant&amp;eacute;m aqui, acordado, escrevendo estas palavras neste caderno de capa roxa para amanh&amp;atilde; digit&amp;aacute;-las no computador e postar no blog para que depois ou nunca tu possas l&amp;ecirc;-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; engra&amp;ccedil;ado o que acontece. Na verdade, n&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; gra&amp;ccedil;a nenhuma. Mas digo que &amp;eacute; engra&amp;ccedil;ado porque &amp;eacute; confuso, e, muitas vezes, quando acho algo confuso acabo dizendo que acho engra&amp;ccedil;ado. Minto, pois. N&amp;atilde;o h&amp;aacute; gra&amp;ccedil;a nenhuma. H&amp;aacute; apenas confus&amp;atilde;o. Mas bem, o que quero dizer &amp;eacute; que, acho que, essa confus&amp;atilde;o se d&amp;aacute; por todo o tempo que passei com algo preso na cabe&amp;ccedil;a e, agora que este algo se foi e mesmo que eu tente busc&amp;aacute;-lo de volta minha consci&amp;ecirc;ncia e o que resta de minha sanidade n&amp;atilde;o me permitem resgat&amp;aacute;-lo, n&amp;atilde;o sei no que pensar. &amp;Eacute; uma ang&amp;uacute;stia t&amp;atilde;o grande o parar de sofrer que acaba em muito se assemelhando com o sofrimento. Mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; sofrimento, o sofrimento se foi, junto com o algo. &amp;Eacute; ang&amp;uacute;stia. Ang&amp;uacute;stia por j&amp;aacute; n&amp;atilde;o saber como se vive sem sofrer. Ang&amp;uacute;stia por n&amp;atilde;o lembrar como se dorme se acorda se come se vai embora sem o algo na minha cabe&amp;ccedil;a e o sofrimento no cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No rel&amp;oacute;gio, eu agora vejo que s&amp;atilde;o 4h. N&amp;atilde;o minto sobre o hor&amp;aacute;rio. De fato, nas duas vezes em que o conferi, o &amp;uacute;ltimo n&amp;uacute;mero na tela do celular era o zero. Queria ter dormido j&amp;aacute; h&amp;aacute; muito tempo. N&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o queria, mas deveria.</content>
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    <title>Engano</title>
    <published>2008-09-20T09:15:06Z</published>
    <updated>2008-09-20T09:15:06Z</updated>
    <content type="html">O que eu disse? O que eu fiz?&lt;br /&gt;Deus!&lt;br /&gt;Estive t&amp;atilde;o enganado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis chorar, eu precisei&lt;br /&gt;Pra saber&lt;br /&gt;Que ainda n&amp;atilde;o tinha secado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis sangrar, eu me cortei&lt;br /&gt;Pra n&amp;atilde;o viver&lt;br /&gt;Sabendo nunca ter amado</content>
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    <title>Do lado de fora</title>
    <published>2008-09-18T22:35:57Z</published>
    <updated>2008-09-19T00:16:37Z</updated>
    <content type="html">Daqui, eu posso ver. Ver por dentro, ver mais e mais fundo que qualquer pessoa ao seu redor parece poder. Vejo toda a mentira, logo, tamb&amp;eacute;m vejo a verdade. Eu percebo. Eu entendo. Percebo tudo o que voc&amp;ecirc; faz e fala com o intuito mesquinho de impressionar. Entendo sua necessidade de, a todo tempo, se provar. E eu vejo, percebo e entendo porque tem algo, alguma parte de mim, que j&amp;aacute; foi voc&amp;ecirc;. Talvez ainda seja... &amp;Eacute;. Por isso eu sei. Sim. Al&amp;eacute;m de ver, perceber e entender, eu tamb&amp;eacute;m sei. Sei o quanto d&amp;oacute;i. Sei daquilo que te mant&amp;eacute;m e daquilo que te destr&amp;oacute;i. Sei daquilo de que voc&amp;ecirc; precisa e que ningu&amp;eacute;m mais pode dar. N&amp;atilde;o podem dar porque n&amp;atilde;o sabem. N&amp;atilde;o sabem porque n&amp;atilde;o podem ver, perceber ou entender. Mas eu sei. Eu vejo, percebo, entendo e sei. Sei, acima de tudo, daquilo que podia e queria fazer por voc&amp;ecirc;. Mas n&amp;atilde;o daqui. Daqui, do lado de fora, nada posso fazer. S&amp;oacute; posso saber. S&amp;oacute; posso ver, perceber, entender e saber. Pena pra mim. E pra voc&amp;ecirc;.</content>
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    <title>O Drama</title>
    <published>2008-09-16T21:43:33Z</published>
    <updated>2008-09-16T21:43:33Z</updated>
    <content type="html">Eu n&amp;atilde;o,&lt;br /&gt;Eu sou o drama.&lt;br /&gt;Eu sou voz&lt;br /&gt;Que te chama.&lt;br /&gt;Eu sou sangue&lt;br /&gt;Que derrama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o o beijo&lt;br /&gt;Que acende a chama.&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o a transa&lt;br /&gt;Na tua cama.&lt;br /&gt;Eu n&amp;atilde;o,&lt;br /&gt;Eu sou o drama.</content>
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    <title>Meu bem</title>
    <published>2008-09-15T15:33:50Z</published>
    <updated>2008-09-15T15:34:40Z</updated>
    <content type="html">Acabado tudo, pensa que quem venceu foi voc&amp;ecirc;, que conseguiu ganhar. E em muito est&amp;aacute; certo. De fato, muito foi tirado de mim. Quis dar tudo pra voc&amp;ecirc;, quis me entregar. E voc&amp;ecirc; aproveitou. Minha inoc&amp;ecirc;ncia, meu 'n&amp;atilde;o bebi', 'n&amp;atilde;o fiquei', 'nunca fumei', tudo voc&amp;ecirc; roubou, e eu n&amp;atilde;o vou mais recuperar. Mas a verdade, ela restou. Ela voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o p&amp;ocirc;de me tomar. A verdade &amp;eacute; meu &amp;uacute;nico bem. O resto, vai, pode levar.</content>
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    <title>Duas Portas</title>
    <published>2008-09-12T13:42:51Z</published>
    <updated>2008-09-12T13:42:51Z</updated>
    <content type="html">Parado em frente &amp;agrave; sua porta, eu penso em bater. Tenho medo. Medo de bater, chamar e ningu&amp;eacute;m responder. Medo de bater e a porta n&amp;atilde;o abrir. E eu j&amp;aacute; estou t&amp;atilde;o cansado de estar aqui. Voc&amp;ecirc; cuidou t&amp;atilde;o bem de enfeitar sua porta que qualquer um que passe por ela pensar&amp;aacute; em bater, e esse &amp;eacute; mais um motivo do meu medo. Com tantos batendo, o que a faria abrir justamente pra mim? Bem sei que ela j&amp;aacute; abriu algumas vezes, at&amp;eacute; mesmo para alguns que n&amp;atilde;o mereciam t&amp;ecirc;-la aberta, mas agora ela parece estar fechada e n&amp;atilde;o sei se quer abrir. Eu tento, eu quero bater. Mas sempre que me aproximo demais, todo meu corpo d&amp;oacute;i. &amp;Eacute; como um reflexo condicionado, uma mem&amp;oacute;ria das poucas portas em que bati e que bateram de volta na minha cara. Ent&amp;atilde;o volto atr&amp;aacute;s, fico aqui, parado em frente &amp;agrave; sua porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J&amp;aacute; a minha, diferente da sua, esteve sempre trancada. Alguns bateram e ela seguiu intacta. Pouqu&amp;iacute;ssimas vezes pensou em abrir, mas resistiu. S&amp;oacute; n&amp;atilde;o resistiu a voc&amp;ecirc;. Pra voc&amp;ecirc;, ela abriu uma fresta, para que pudesse ver o que havia dentro dela. Voc&amp;ecirc; foi convidado a entrar. Mas apenas um de seus p&amp;eacute;s atravessou-a, e este logo voltou atr&amp;aacute;s. Voc&amp;ecirc; se foi e n&amp;atilde;o voltou a bater nela. Apenas passa e fica parado em frente a ela. N&amp;atilde;o todos os dias, nem mesmo toda semana, mas ela te espera t&amp;atilde;o fielmente que &amp;eacute; como se n&amp;atilde;o sa&amp;iacute;sse da frente dela. Por que n&amp;atilde;o bate, quando p&amp;aacute;ra em frente a ela? Talvez tamb&amp;eacute;m tenha medo. Mas medo de quem? Dela, de mim ou de voc&amp;ecirc; mesmo? Pra voc&amp;ecirc; ela abriria, s&amp;oacute; pra voc&amp;ecirc;. Mas voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o bate, ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o h&amp;aacute; pra quem abrir.</content>
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    <title>O Banho e as Palavras</title>
    <published>2008-09-12T01:04:46Z</published>
    <updated>2008-09-12T01:08:46Z</updated>
    <content type="html">Era tarde e ele acabava de notar que mais um dia havia sido perdido. Sua cabe&amp;ccedil;a pesava, suas costas, curvadas em frente ao computador, do&amp;iacute;am cansadas e o mau cheiro de suas meias exalava no quarto verde. Mas apenas agora ele percebia. Antes, estivera muito concentrado em seus pensamentos, perdido dentro de si mesmo, dando seu melhor e seu pior para entender aquelas palavras. O que queriam dizer? Teriam algum significado ou eram outras daquelas que escapam por escapar, sem qualquer grande sentido ou intuito? Mas o outro as dissera. Ent&amp;atilde;o, fossem o que fossem, haviam de ter algum significado. Ele apenas n&amp;atilde;o conseguia encontr&amp;aacute;-lo, e as palavras n&amp;atilde;o sa&amp;iacute;am de sua cabe&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns minutos ap&amp;oacute;s notados o tempo e a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, no banheiro, ele via seus olhos cansados e envoltos por olheiras que denunciavam as noites n&amp;atilde;o-dormidas refletidos no espelho e buscava for&amp;ccedil;as para despir-se naquela noite fria. Mas, antes de faz&amp;ecirc;-lo, olhou-se por mais alguns segundos, enquanto aquelas palavras, sem parar, ecoavam em sua cabe&amp;ccedil;a, que agora lhe parecia, ao mesmo tempo, muito cheia e muito vazia. As palavras. As olheiras. O banho podia fazer-lhe bem. Despiu-se. E ao despir-se, p&amp;ocirc;de ver as tr&amp;ecirc;s marcas feitas em seu bra&amp;ccedil;o com caneta laranja por aquela colega naquela aula daquela tarde que agora j&amp;aacute; era uma lembran&amp;ccedil;a muito remota. Talvez nem a tivera vivido. N&amp;atilde;o esteve l&amp;aacute;, naquela aula. Esteve, durante todo o dia, dentro de sua cabe&amp;ccedil;a, que, sem cansar, repetia aquelas palavras. Mesmo agora, em frente ao chuveiro, ainda as repetia em sil&amp;ecirc;ncio. O que querem dizer? Algu&amp;eacute;m precisa ajud&amp;aacute;-lo a entender. A &amp;aacute;gua desceu quente.</content>
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    <title>Fujo</title>
    <published>2008-08-28T23:20:04Z</published>
    <updated>2008-08-28T23:20:04Z</updated>
    <content type="html">N&amp;atilde;o minto, eu fujo. Fujo sim. Fujo porque tenho medo. Tenho medo do desconhecido, e eu definitivamente n&amp;atilde;o te conhe&amp;ccedil;o. N&amp;atilde;o sei como funcionas. N&amp;atilde;o sei como eu deveria funcionar quando estou contigo. N&amp;atilde;o sei o que posso falar, quando devo mentir, o que posso ou n&amp;atilde;o sentir. N&amp;atilde;o sei qual o meu papel neste teu mundo em que tudo significa nada, em que amor &amp;eacute; apenas uma palavra, em que olhares e momentos se tornar&amp;atilde;o uma lembran&amp;ccedil;a vaga. N&amp;atilde;o sei. N&amp;atilde;o sei quem &amp;eacute;s, n&amp;atilde;o te conhe&amp;ccedil;o. Por isso fujo, porque tenho medo.</content>
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    <title>Perdão</title>
    <published>2008-08-26T22:25:18Z</published>
    <updated>2008-08-26T22:28:57Z</updated>
    <content type="html">Por toda a confusão, pela falsa paixão, pelas vezes que te beijei e pelas outras que tentei te beijar, pelas vezes que fingi te ignorar, te peço perdão. Eu já tinha meu drama. Escolhi a ti para protagonizá-lo, mas nunca fostes a questão. O sangue já estava lá. Ele queria sair, só precisava de um lugar por onde passar. Por isso me cortei em ti. Para que ele pudesse derramar. Mas assim te fiz pensar que eras tu a pedra que me mantinha no chão, que eu te amava e por isso sangrava, mas não. Por isso, meu bem, perdão.</content>
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    <title>Hoje o sol é pra mim</title>
    <published>2008-08-25T12:59:23Z</published>
    <updated>2008-08-25T12:59:23Z</updated>
    <lj:music>Lily Allen - Knock 'Em Out</lj:music>
    <content type="html">Hoje o sol é pra mim. E eu mereço sim. Mereço todo seu brilho, todo seu calor. Mereço ele todo pra mim. Há tempos ele tenta me iluminar, me aquecer, me fazer sorrir. Mas eu, tolo, insistia em redirecioná-lo para lugares tão escuros que nem mesmo ele podia iluminar, tão frios que nem ele podia aquecer. O redirecionava a você. Mas não hoje. Hoje ele é meu. Hoje, foi pra mim que ele apareceu. Hoje o sol é pra mim. E vai continuar sendo assim.</content>
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    <title>Astrologia furada</title>
    <published>2008-08-25T02:55:26Z</published>
    <updated>2008-08-25T02:55:26Z</updated>
    <content type="html">No horóscopo chinês sou dragão.&lt;br /&gt;No outro, aquário.&lt;br /&gt;Na vida, um cagão.&lt;br /&gt;Um otário.</content>
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    <title>Sem respostas</title>
    <published>2008-08-24T00:00:55Z</published>
    <updated>2008-08-24T04:22:03Z</updated>
    <content type="html">Por que? Por que, se é a ti que desejei ver por todos estes dias e noites, estou sentado aqui, longe de ti? Por que, se são teus olhos que me acordam de meus sonhos, desvio meu olhar de ti toda vez que estás por perto? Por que sigo agindo como se não me importasse, como se tivesse alguma dignidade ou orgulho para proteger quando, na verdade, não tenho? Não tenho mais nada. Nada a perder, nada para manter. Por que, mesmo com tanto para te dizer, meu pensamento esvazia e minha voz foge de mim no exato momento em que tento falar contigo? Por que esse suor que não para de sair pelas minhas mãos, axilas, etc? Por que essa luta para que não percebam que, por dentro, tremo, grito, morro por estar perto de ti? Por que fujo, se já me algemei a ti e te entreguei a chave? Por que, se te quero aqui, abro a porta para que possas partir?</content>
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    <title>Me toma pra ti</title>
    <published>2008-08-20T15:36:35Z</published>
    <updated>2008-08-20T15:36:35Z</updated>
    <content type="html">Me toma pra ti&lt;br /&gt;Me tira daqui&lt;br /&gt;Estende tua mão pra eu pegar&lt;br /&gt;Me toma pra ti&lt;br /&gt;Me faz teu rubi&lt;br /&gt;Tua jóia rara para admirar&lt;br /&gt;Me toma pra ti&lt;br /&gt;Me tira daqui&lt;br /&gt;Sozinho não consigo caminhar&lt;br /&gt;Me toma pra ti&lt;br /&gt;Me faz teu rubi&lt;br /&gt;Que o tempo vem para me lapidar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me toma pra ti&lt;br /&gt;Me tira daqui&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me toma pra ti&lt;br /&gt;Me faz teu rubi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me toma pra ti&lt;br /&gt;Me tira daqui&lt;br /&gt;Eu já sou teu mas não sei me entregar&lt;br /&gt;Me toma pra ti&lt;br /&gt;Me faz teu rubi&lt;br /&gt;Estou na vitrine, vem me roubar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me toma pra ti&lt;br /&gt; Me tira daqui&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Me toma pra ti&lt;br /&gt; Me faz teu rubi&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Me toma pra ti</content>
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