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bestdamnshit
24 June 2009 @ 05:29 pm
O sacolejar do ônibus torna minha caligrafia quase ilegível, e mesmo assim tento escrever. Tento porque estou cansado de tanto silêncio. Cansado de pensar e sentir e chorar calado. Eu preciso escrever. Nem que seja para declarar que sim, sigo vivo, sigo tentando. E não tá fácil. Mas será que é fácil para alguém? Talvez seja. O que sei com certeza é que, pra mim e pra muitos que conheço, nunca foi. E, mesmo assim, nós, eles e eu, continuamos aqui, tentando, lutando. Lutando pelo quê? Lutando pra quê? Lutando por quem? Às vezes não tenho certeza, e desanimo. Desanimo mesmo. Sei que essa história de "lutar sempre, desanimar nunca" é muito, muito bonitinha, mas não cola. Não pra mim. Eu tenho dúvidas, muitas dúvidas, e elas não se calam. Busco respostas o tempo inteiro, suplico por elas. Às vezes invento algumas e enfio goela abaixo pra ver se as dúvidas as engolem, mas elas acabam por cuspi-las de volta. Porque essas dúvidas, essas minhas, não aceitam nada que não seja a mais pura verdade. E como encontrar a verdade nesse mundo em que, a todo momento, mais e mais mentiras são fabricadas(às vezes para nos confortar, às vezes só pra nos enganar mesmo) é muito difícil, não posso ignorar o desânimo que me vem cochichar no ouvido. Mas tento. Sempre tento.
 
 
bestdamnshit
21 May 2009 @ 08:36 pm
Já não sou eu, sou o que sobrou. O que sobrou depois de teres me tirado tudo. Tudo o que eu era, tudo o que eu tinha. Me tirastes tudo, e o que hoje sou é tudo o que sobrou. O Resto. E é preciso seguir. Sempre é preciso seguir. Mas seguir pra onde?! Não me foi deixado caminho algum.
 
 
bestdamnshit
25 April 2009 @ 11:46 pm
Tenho estado em silêncio, eu sei. Não porque me faltem palavras, it's not the case. Elas ainda passam pela minha cabeça a todo momento, a toda velocidade. Minha fé nelas é que já não é a mesma. Afinal, quem precisa das minhas palavras?

Eu preciso. E é por isso que volto a usá-las. Eu preciso porque, se não for para usá-las, qual o sentido de estar vivo? E sim, eu posso pensar que a minha existência não significa nada e que eu sou apenas mais um, que as minhas palavras são apenas mais algumas palavras e que não há razão em dizê-las ou escrevê-las. Mas não é verdade. Cada vida deve ser notada, deve ser importante, ainda que seja apenas para seu dono. Cada palavra deve ser falada. Gritada. Muitos podem tê-la dito e, para a maioria das pessoas, sua palavra será de fato apenas uma palavra a mais. Mas para você, não. Para você ela tem um significado, então dê a ele a importância merecida. Você tem algo a dizer: diga.
 
 
bestdamnshit
15 February 2009 @ 11:00 pm

O que é que eu faço com a vida? Não morri, mas carrego a ferida.

 
 
bestdamnshit
14 February 2009 @ 10:23 pm
Deve ter restado algo, algum fragmento de fé que me livre desse medo. Medo de viver. Medo de morrer. Medo.
Procuro por esse algo.
 
 
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10 February 2009 @ 09:01 pm
Já não me sinto tão grato. Tampouco os dias tem sido leves.
 
 
bestdamnshit
09 January 2009 @ 10:03 pm
Grato. É assim que (acho que) me sinto por estar vivendo estes primeiros dias de 2009. Apesar das minhas variações de humor ainda presentes, os dias tem sido leves. Me sinto em paz comigo e com as minhas decisões.

Tive de fazer uso de uma certa dose de ousadia para estar onde estou hoje. Não fazer um vestibular para o qual vinha me preparando foi, com certeza, uma decisão difícil. Mas é preciso saber o que me faz feliz e seguir apenas nessa direção, por isso essa decisão. Meu caminho nunca foi a universidade. Pelo menos até agora. Libertar-me de vínculos com elementos que me traziam maus fluidos também não foi fácil, mas necessário.

Tudo é tão incerto. E sempre será. Nunca imaginei terminar 2008 da maneira que terminei. As coisas que vivi, os lugares pelos quais passei, as pessoas que conheci, as coisas em que tive de pensar... Não esperava passar por nada disso. Não por enquanto, pelo menos. Lembro de, num de meus últimos dias na clínica São José, onde estive internado de 12 a 24 de dezembro, irromper em choro na frente de uma companheira mais velha, dizendo que jamais seria o mesmo depois de ter passado pelo que tive de passar. Lamentei-me por ser tão novo e já tão machucado. Uma tolice, acho. Nunca se é novo demais para começar a entender as coisas.

A tristeza ainda me acompanha. Mas sei como conviver com ela, acho. Sempre acabo buscando minhas coisinhas mágicas que elevam meu humor e meu espírito. Meu tio acaba de me ligar, convidando-me para passar uma semana na sua casa, e aceitei. Mais um sinal da incerteza das coisas. Agora estou conversando com a minha mãe sobre esse convite e os compromissos que eu tinha, e as coisas estão mais incertas ainda.

Deixemo-as assim.
 
 
Current Music: Rita Lee - Baila Comigo
 
 
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09 December 2008 @ 12:49 pm
Esforço-me para reacender a luz, mas a energia que restou - o pequeno fragmento de energia que sobrou do muito que você me tirou - não é suficiente. Ainda não. Mas, no escuro, não hei de permanecer até o fim. Continuo a esforçar-me.
 
 
Current Music: Lily Allen - The Fear
 
 
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30 November 2008 @ 10:28 pm
Fecho meus olhos para um encontro com o escuro. Escuro que está em mim. Escuro que sou. O encontro e o encaro. O encaro sem disfarçar, sem temer, sem me mascarar. O encaro e o reconheço. Então sinto que, finalmente, encontro algo que traz algum sentido para todos os algos. Os algos que me cercam, me tocam, me tomam, me ferem. Os algos que são pessoas, sentimentos, acontecimentos, dores, amores, temores, cheiros e sabores. Os algos que só passam a ter um sentido agora que encontrei o algo. O algo que é o escuro. Porque é desse algo, o escuro, que são feitos os algos que me cercam, me tocam, me tomam, me ferem. Os algos que são pessoas, sentimentos, acontecimentos, dores, amores, temores, cheiros e sabores. Os algos são o algo. O algo é o escuro. Escuro que encontrei ao fechar meus olhos. Escuro que está em mim. Escuro que sou.
 
 
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18 October 2008 @ 03:13 pm
O tempo está acabando e eu preciso sair. Cheguei há tanto tempo, e agora vejo que, de certa forma, estou quase preso ao chão, coberto pelo limo... O próprio chão, o lugar todo tenta me impedir, mas eu preciso sair daqui. Eu preciso caminhar. Mas dói. Dói muito, dói tudo. Dói deixar o chão, após tanto tempo deitado sobre ele. Me apeguei ao frio do concreto, à umidade do limo, à escuridão do buraco, e dói deixar tudo pra trás. Mas eu preciso. Eu vejo a luz lá em cima, e não sei se consigo alcançá-la. Mas eu preciso dizer que sim, que consigo, que posso, eu preciso acreditar. Eu preciso deixar o chão e voltar a caminhar. Então caminho(te sentindo nos pés, meu espinho).
 
 
bestdamnshit
18 October 2008 @ 03:02 pm
Entre muros e paredes
encontro tua sombra.
E é tentando alcançá-la
que eu
Tento tocar em ti.

Mas a sombra
é só sombra,
Não tu.
Tu não estás aqui.
Nem ali.
Nem sei se,
de fato,
estás em algum lugar,
se existes
ou se eu te criei,
não sei.
A ti
nunca vi.

Mas tua sombra,
sim.
Ela, sempre encontro por aí,
sempre encontro aqui.
Nas paredes.

Encontro porque procuro.
Procuro e já não tento resistir.
Procuro para tocá-la,
tentando tocar em ti.
 
 
bestdamnshit
30 September 2008 @ 09:32 pm
"Freedom comes when you learn to let go."

Quanto mais me tiram, mais me dão e quanto mais me dão, mais me tiram. Desde o princípio, era esta a questão. Era esta a razão. Eu apenas demorei tempo demais pra entender. Passei tempo demais sem saber. A cada pessoa que, com muito esforço, permito entrar em minha vida, em meu mundo, onde quer que seja, enfim, muito me é tirado. Da mesma forma, muito me é dado. E talvez seja assim com todos os outros. Mas que motivo teriam eles para fingir não perceber tantas perdas e tantos ganhos? Talvez não percam nem ganhem tanto. Talvez percam e ganhem tanto quanto eu, mas eu sinta e arda e sangre mais do que eles a cada vez que isso acontece. Talvez não. Não sei. Só o que sei é o que vejo, percebo e sinto. Mais sinto do que vejo e percebo. E o que vejo, percebo e, especialmente, sinto são pessoas indo e vindo como se nada lhes fosse tirado nem nada lhes fosse dado. Como se nada ganhassem e nada perdessem. Entrando e saindo da minha vida, do meu mundo, de onde quer que seja, enfim, como se nada sentissem. Como se nada levassem e nada deixassem. Mas levam. E deixam. De mim, levam muito e, comigo, deixam muito. Mas parecem não perceber. Ou, talvez, percebam, mas não se importem. Nem com o que levam nem com o que deixam. Nem com o que eu perco nem com o que eu ganho. E eu perco muito e ganho muito. Perco ao ganhar e ganho ao perder. Pois quanto mais me tiram, mais me dão e quanto mais me dão, mais me tiram.
 
 
bestdamnshit
22 September 2008 @ 12:42 pm
O relógio do celular me diz que são 3h40, escuto pássaros cantando e não entendo o porquê deles estarem cantando a essa hora, assim como não entendo o porquê de eu estar aqui, acordado, escrevendo estas palavras neste caderno de capa roxa para amanhã digitá-las no computador e postar no blog para que depois ou nunca tu possas lê-las. Mas aqui estou. E os pássaros cantam. Não sei o que de fato se passa com a minha cabeça. Nem sei dizer ao certo o que se passa nela, como posso querer saber o que se passa com ela? Mas sei que, neste momento, ela me mantém aqui, acordado, escrevendo estas palavras neste caderno de capa roxa para amanhã digitá-las no computador e postar no blog para que depois ou nunca tu possas lê-las.

É engraçado o que acontece. Na verdade, não. Não há graça nenhuma. Mas digo que é engraçado porque é confuso, e, muitas vezes, quando acho algo confuso acabo dizendo que acho engraçado. Minto, pois. Não há graça nenhuma. Há apenas confusão. Mas bem, o que quero dizer é que, acho que, essa confusão se dá por todo o tempo que passei com algo preso na cabeça e, agora que este algo se foi e mesmo que eu tente buscá-lo de volta minha consciência e o que resta de minha sanidade não me permitem resgatá-lo, não sei no que pensar. É uma angústia tão grande o parar de sofrer que acaba em muito se assemelhando com o sofrimento. Mas não é sofrimento, o sofrimento se foi, junto com o algo. É angústia. Angústia por já não saber como se vive sem sofrer. Angústia por não lembrar como se dorme se acorda se come se vai embora sem o algo na minha cabeça e o sofrimento no coração.

No relógio, eu agora vejo que são 4h. Não minto sobre o horário. De fato, nas duas vezes em que o conferi, o último número na tela do celular era o zero. Queria ter dormido já há muito tempo. Não, não queria, mas deveria.
 
 
bestdamnshit
20 September 2008 @ 06:09 am
O que eu disse? O que eu fiz?
Deus!
Estive tão enganado...

Eu quis chorar, eu precisei
Pra saber
Que ainda não tinha secado

Eu quis sangrar, eu me cortei
Pra não viver
Sabendo nunca ter amado
 
 
bestdamnshit
18 September 2008 @ 07:28 pm
Daqui, eu posso ver. Ver por dentro, ver mais e mais fundo que qualquer pessoa ao seu redor parece poder. Vejo toda a mentira, logo, também vejo a verdade. Eu percebo. Eu entendo. Percebo tudo o que você faz e fala com o intuito mesquinho de impressionar. Entendo sua necessidade de, a todo tempo, se provar. E eu vejo, percebo e entendo porque tem algo, alguma parte de mim, que já foi você. Talvez ainda seja... É. Por isso eu sei. Sim. Além de ver, perceber e entender, eu também sei. Sei o quanto dói. Sei daquilo que te mantém e daquilo que te destrói. Sei daquilo de que você precisa e que ninguém mais pode dar. Não podem dar porque não sabem. Não sabem porque não podem ver, perceber ou entender. Mas eu sei. Eu vejo, percebo, entendo e sei. Sei, acima de tudo, daquilo que podia e queria fazer por você. Mas não daqui. Daqui, do lado de fora, nada posso fazer. Só posso saber. Só posso ver, perceber, entender e saber. Pena pra mim. E pra você.
 
 
bestdamnshit
16 September 2008 @ 06:40 pm
Eu não,
Eu sou o drama.
Eu sou voz
Que te chama.
Eu sou sangue
Que derrama.

Não o beijo
Que acende a chama.
Não a transa
Na tua cama.
Eu não,
Eu sou o drama.
 
 
bestdamnshit
15 September 2008 @ 12:23 pm
Acabado tudo, pensa que quem venceu foi você, que conseguiu ganhar. E em muito está certo. De fato, muito foi tirado de mim. Quis dar tudo pra você, quis me entregar. E você aproveitou. Minha inocência, meu 'não bebi', 'não fiquei', 'nunca fumei', tudo você roubou, e eu não vou mais recuperar. Mas a verdade, ela restou. Ela você não pôde me tomar. A verdade é meu único bem. O resto, vai, pode levar.
 
 
bestdamnshit
12 September 2008 @ 09:43 am
Parado em frente à sua porta, eu penso em bater. Tenho medo. Medo de bater, chamar e ninguém responder. Medo de bater e a porta não abrir. E eu já estou tão cansado de estar aqui. Você cuidou tão bem de enfeitar sua porta que qualquer um que passe por ela pensará em bater, e esse é mais um motivo do meu medo. Com tantos batendo, o que a faria abrir justamente pra mim? Bem sei que ela já abriu algumas vezes, até mesmo para alguns que não mereciam tê-la aberta, mas agora ela parece estar fechada e não sei se quer abrir. Eu tento, eu quero bater. Mas sempre que me aproximo demais, todo meu corpo dói. É como um reflexo condicionado, uma memória das poucas portas em que bati e que bateram de volta na minha cara. Então volto atrás, fico aqui, parado em frente à sua porta.

Já a minha, diferente da sua, esteve sempre trancada. Alguns bateram e ela seguiu intacta. Pouquíssimas vezes pensou em abrir, mas resistiu. Só não resistiu a você. Pra você, ela abriu uma fresta, para que pudesse ver o que havia dentro dela. Você foi convidado a entrar. Mas apenas um de seus pés atravessou-a, e este logo voltou atrás. Você se foi e não voltou a bater nela. Apenas passa e fica parado em frente a ela. Não todos os dias, nem mesmo toda semana, mas ela te espera tão fielmente que é como se não saísse da frente dela. Por que não bate, quando pára em frente a ela? Talvez também tenha medo. Mas medo de quem? Dela, de mim ou de você mesmo? Pra você ela abriria, só pra você. Mas você não bate, então não há pra quem abrir.
 
 
bestdamnshit
11 September 2008 @ 09:44 pm
Era tarde e ele acabava de notar que mais um dia havia sido perdido. Sua cabeça pesava, suas costas, curvadas em frente ao computador, doíam cansadas e o mau cheiro de suas meias exalava no quarto verde. Mas apenas agora ele percebia. Antes, estivera muito concentrado em seus pensamentos, perdido dentro de si mesmo, dando seu melhor e seu pior para entender aquelas palavras. O que queriam dizer? Teriam algum significado ou eram outras daquelas que escapam por escapar, sem qualquer grande sentido ou intuito? Mas o outro as dissera. Então, fossem o que fossem, haviam de ter algum significado. Ele apenas não conseguia encontrá-lo, e as palavras não saíam de sua cabeça.

Alguns minutos após notados o tempo e a situação, no banheiro, ele via seus olhos cansados e envoltos por olheiras que denunciavam as noites não-dormidas refletidos no espelho e buscava forças para despir-se naquela noite fria. Mas, antes de fazê-lo, olhou-se por mais alguns segundos, enquanto aquelas palavras, sem parar, ecoavam em sua cabeça, que agora lhe parecia, ao mesmo tempo, muito cheia e muito vazia. As palavras. As olheiras. O banho podia fazer-lhe bem. Despiu-se. E ao despir-se, pôde ver as três marcas feitas em seu braço com caneta laranja por aquela colega naquela aula daquela tarde que agora já era uma lembrança muito remota. Talvez nem a tivera vivido. Não esteve lá, naquela aula. Esteve, durante todo o dia, dentro de sua cabeça, que, sem cansar, repetia aquelas palavras. Mesmo agora, em frente ao chuveiro, ainda as repetia em silêncio. O que querem dizer? Alguém precisa ajudá-lo a entender. A água desceu quente.
 
 
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28 August 2008 @ 08:13 pm
Fujo  
Não minto, eu fujo. Fujo sim. Fujo porque tenho medo. Tenho medo do desconhecido, e eu definitivamente não te conheço. Não sei como funcionas. Não sei como eu deveria funcionar quando estou contigo. Não sei o que posso falar, quando devo mentir, o que posso ou não sentir. Não sei qual o meu papel neste teu mundo em que tudo significa nada, em que amor é apenas uma palavra, em que olhares e momentos se tornarão uma lembrança vaga. Não sei. Não sei quem és, não te conheço. Por isso fujo, porque tenho medo.
 
 
 
 

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